domingo, 9 de agosto de 2009

O sorriso de Monalisa

Assistindo mais uma vez o filme “O sorriso de Monalisa”, fiz uma série de reflexões tentando seguir o roteiro para discussão disponibilizado na tarefa 9 do Seminário Integrador I. Primeiramente vamos nos localizar. Este filme trata de uma professora de Arte que chega cheia de novas idéias e concepções sobre o modo de ver a vida e a arte numa escola americana extremamente tradicional. No filme as alunas da escola eram criadas para seguir padrões pré determinados para tudo em suas vidas (comportamento, idéias de vida, modo de ver a arte). Tanto que achavam que para conhecer a arte, bastava decorar o que a apostila da escola dizia e saberiam tudo sobre as obras, não se preocupavam em ir além do que o texto dizia, apreciar e refletir sobre as imagens lá contidas.
Quando a professora apresenta uma obra que não está no livro e que não pertence ao conjunto do que elas aprenderam a ver como arte, elas ficam perdidas, e a primeira atitude é a crítica e a negação de que aquilo fosse arte. Elas não conseguem dar-se conta que para apreciar e reconhecer o valor de uma obra (um filme, uma música) não é necessário gostar, mas deve-se tentar entender e reconhecer seu valor.
Acostumadas a apreciar obras de Da Vinci utilizando padrões como cor, luz, profundidade, temática, como apreciar um Pollock, que utiliza somente camadas e mais camadas de tinta salpicada sobre a tela?
Maior ainda foi a surpresa da turma quando a professora apresentou imagens da mídia da época durante uma aula. Nunca elas haviam pensado que imagens da propaganda poderiam ser utilizadas como elemento para apreciação e reflexão dentro de uma sala de aula.
Atualmente a propaganda (mídia) pode ser um recurso muito atrativo para a leitura de imagens na escola. Existem muitas que fazem referência ou utilizam imagens conhecidas da história da Arte para anunciar seus produtos. Outras ainda podem servir de base para muitas reflexões, afinal, Paulo Freire já dizia “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”.
Outra cena interessante é a que a professora apresenta a obra de Pollock às alunas e lhes diz que façam um favor a si próprias, ficando caladas e apreciando, que não precisam nem gostar, só apreciar.
Comparo essa parte do filme com a minha prática em sala de aula. Muitas vezes não adianta ficar tentando convencer o aluno sobre uma obra, existem momentos em que é necessário apenas deixá-lo apreciar a obra, (inclusive para alguns quanto mais tentamos falar sobre a obra mais eles vão contra ao que dizemos...).
Uma questão muito forte para debate, seja com os alunos ou entre professores (ou quem quiser pensar sobre o assunto), é a parte onde elas discutem sobre o que é ou não arte. Reproduzo algumas frases do filme: “o que é arte? O que faz dela boa ou ruim e quem decide?”, “a arte não é arte até alguém dizer que é”. Em qualquer roda de discussão essa questão gera polêmica. Existe um chamado “mundo da arte” com críticos, especialistas, estudiosos, curadores. Um exercício meu de aula ou um trabalho de um aluno não é arte, é um trabalho de aula, um exercício. Alguém que faz um curso rápido, aprende a pintar flores e lindas paisagens é automaticamente um artista? Ou está apenas reproduzindo a técnica que aprendeu na aula? O curador do museu ou o crítico chamariam algum dos trabalhos citados de arte? Os colocaria em uma galeria?
Os alunos adoram “provocar-nos” dizendo “isso até eu faço”, “mas esse monte de rabiscos é arte?”. O que responder a eles?
No momento em que foram feitos os “rabiscos”, eles foram importantes naquele determinado momento histórico, o mundo da arte os considerou como tal por alguma razão.
A partir do filme comecei a refletir sobre como responder quando me fazem tais perguntas e comentários. Cabe ao professor ter a mente aberta e tentar ajudar seus alunos a abrirem as suas também e ampliar suas concepções sobre a arte e a leitura do mundo ao nosso redor.
Precisamos aprender (e ensinar) a olhar um Pollock ou um Da Vinci com os olhos de quem observa não apenas as cores, o movimento, a profundidade ou querer entender “o que o artista quis dizer com isso”. Precisamos apreciar, deixar-nos envolver pelo que estamos vendo e deixar que ele trave um diálogo conosco, a partir do que trazemos em bagagem de conhecimento, seja de imagens, de poesia,enfim, da nossa leitura do mundo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Considerações sobre o vídeo “Ser professor no contexto atual”

Dewey

O professor deve despertar o entusiasmo no aluno e valorizar a capacidade de pensar do mesmo.

Cabe a nós, professores, valorizar a bagagem que o aluno traz consigo a fim de facilitar sua aprendizagem e ao mesmo tempo faze-lo sentir-se parte importante do processo.

Piaget

O aprendizado é construído pelo aluno, o papel do professor é estimular a ação pela busca do conhecimento.

Cabe ao aluno construir seu conhecimento, mas é papel do professor lhe proporcionar as ferramentas necessárias para que essa construção se dê de forma significativa e consistente.

Vigotsky

Aspecto social da aprendizagem. O professor é o impulsionador do desenvolvimento mental do aluno. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa por outra pessoa.

A valorização do papel desempenhado pelo professor no processo de aprendizagem estimula-o a aprimorar cada vez mais sua prática, buscando novos métodos, práticas, exemplos e formas de ensinar.

Nóvoa

Professor reflexivo. Reflexão sobre a experiência docente seja feita no grupo de professores de uma escola, na escola.

É importante que o professor esteja sempre atualizado, buscando melhorar e aumentar seu conhecimento sobre sua área de atuação e sobre o processo de ensino-aprendizagem como um todo. Quando essa atualização acontece junto com o grupo com quem ele trabalha, esta torna-se mais significativa devido a troca de experiências entre aqueles que convivem com um mesmo grupo de aluno, por exemplo.

Shulman

Conhecimento pedagógico geral e do conteúdo, o que o professor deve saber para tornar a aprendizagem mais significativa.

No momento em que conheço bem aquilo que vou ensinar e sei como a criança aprende, tenho condições de preparar minha aula de um modo que facilite o entendimento e a assimilação daquilo que estou propondo. Desde modo, posso saber também as relações que o aluno pode fazer com outros conteúdos já aprendidos, inclusive em outras áreas do conhecimento.

Fazendo um paralelo das idéias escolhidas com a minha prática docente, concluo que quando conhecemos bem aquilo que estamos ensinando e demonstramos isso ao aluno, mostrando a ele nosso entusiasmo sobre o que dizemos, fica mais fácil trazê-lo para “dentro” do assunto e compartilhar de nosso entusiasmo. Se o professor está em constante atualização sobre o que ensina e sabe como o aluno aprende, ele tem condições de criar estratégias para proporcionar uma aprendizagem significativa, manter acesa a chama do entusiasmo durante suas aulas e, quem sabe, até despertar em alguns alunos um interesse maior e duradouro sobre determinados assuntos. Se nos interessarmos pelo que o aluno já sabe ao chegar na escola, pelo que ele tem interesse, e mostrarmos a ele que valorizamos o que ele pensa, torna-se mais fácil construir a aprendizagem. Quando o grupo de professores de uma escola se reúne periodicamente a fim de trocar experiências e aprender mais sobre qualquer assunto (seja sobre a comunidade onde está a escola, sobre o processo de aprendizagem, sobre o problema de determinado aluno), todo o grupo sai beneficiado, pois todos estarão falando a mesma língua e trabalhando em conjunto, mesmo que em áreas diferentes do saber.

Peço licença para dar um exemplo real do que digo: no Ensino Médio, eu dizia sempre que detestava Literatura, que era uma disciplina onde só se lia livros chatos e antigos. Tive uma professora que dava aula com tanto amor pela disciplina que acabou despertando o gosto pela leitura em muitos que não gostavam de ler. A turma ficava em silêncio total, todos “vidrados” ouvindo a professora ler poemas e trechos de livros. Mas isso por que ela o fazia com uma emoção, uma intensidade tão grande que contagiava a turma toda, até os mais desinteressados.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Portfólios

Há um bom tempo havia lido sobre portfólios na escola, mas, até então, não tinha refletido sobre seu real valor no processo de aprendizagem.

Realmente, é uma forma bem mais ‘eficiente’ para fazer com que o aluno se sinta dentro do processo de avaliação. O simples fato de acumular trabalhos dentro de uma pasta não acrescenta nada no final do ano. Mas pensar numa maneira para acomodá-los e apresentá-los, selecionar quais (e por que) serão incluídos e descartados do portfólio já exigem um envolvimento muito maior por parte do aluno. Não é só “o que vai dentro” que é importante, mas a forma de apresentação também vai mostrar um pouco de quem está apresentando.

Trabalhei em uma escola onde os alunos “enchiam a boca” para dizer que “deram fogo” nos trabalhos do ano passado - ou do mesmo ano algumas vezes.

O uso do portfólio faz com que o aluno veja sua produção com outros olhos, que comece a pensar sobre o processo desenvolvido ao longo do ano buscando uma reflexão final, desvinculando o valor daquele trabalho apenas ao momento da entrega/nota.

Mas para que isso dê certo o aluno deve estar convencido da importância de participar desse processo de avaliação, não apenas pensar na sua nota no momento da execução do trabalho e depois esquecer-se de como e por que foi feito daquela forma.

Talvez se fossem utilizados desde as séries iniciais, os portfólios se tornassem, também aos olhos dos alunos, uma coisa natural, uma parte do processo de aprendizagem (como são os temidos ou esperados boletins ao fim de cada trimestre) e ajudassem a criar um processo de avaliação mais significativo para todos, não apenas vinculados às notas.

"Você sabia?" e "Educação não é a solução"

Aqui estão os links do texto e do vídeo q deu origem à discussão do outro texto...
http://www.youtube.com/watch?v=EIg2pZspFoE

http://www.educartis.com.br/ceo/2007/12/11/educaco-no-e-a-soluco.html

"Educação não é a solução"

Após ver o vídeo e ler o artigo “Educação não é a solução”, mais uma vez comecei a me questionar sobre diversas coisas referentes a nossa prática na escola.

Sabemos, sim, que nosso modelo educacional está ultrapassado, que os conteúdos ensinados na escola deixam muito a desejar e não têm - eu amo os acentos e ainda não aderi à novíssima e revolucionária Reforma Ortográfica- a famosa “utilidade prática” (quem nunca se perguntou “mas pra que eu tenho que saber ligações covalentes se eu não vou trabalhar com química?!”).

Bom, acontece que estamos (vou usar a 3ª pessoa para caracterizar nosso sistema de ensino, não se ofendam) pregando uma coisa e fazendo outra.

Discutimos e concordamos que devemos preparar o aluno para o mundo globalizado, para as faculdades e para o mercado de trabalho mas ainda estamos ensinando (quase) os mesmos conteúdos e da mesma forma que aprendemos 10, 15, 20 anos atrás. Falamos em inclusão digital, e usamos os Laboratórios de Informática Educativa para fazer os mesmos trabalhos sobre a Revolução Francesa, a formação do solo, etc e tal.

Quanto à Língua Portuguesa, NÓS, professoras, algumas vezes, escrevemos com erros semelhantes aos nossos alunos! De que forma vamos cobrar uma coisa que não sabemos fazer? E não me serve aquela história de que não precisa cobrar muito a ortografia e pontuação, que compreendendo a idéia expressada, mesmo com erros, é suficiente. O mesmo serve para a caligrafia. Não é por que quase tudo é feito no computador que a criatura vai psicografar seus cadernos e provas e assim está bom por que entende o que escreveu! Lembremos que nas empresas o bom Português se faz necessário para preencher relatórios, currículos e toda a sorte de papeladas.

Às vezes vejo um certo nivelamento por baixo. Já ouvi “mas pensa bem, qual daqueles alunos vai fazer uma faculdade? Eles saindo daqui lendo e escrevendo para se virar no mercado de trabalho, está mais que bom!” Sim, eu ouvi. Mas graças aos céus, isso não é padrão, mas acontece em muitos lugares.

Eu defendo a idéia que precisa haver uma revolução geral na educação, desde a qualificação dos professores, passando pela estrutura da escola, material didático, planos políticos-pedagógicos e assim por diante. E precisamos de novo exercer a autoridade, receber o merecido respeito e valorização perdidos, ter apoio da família e do governo para incentivar o aluno a absorver – por vontade própria – o melhor que a escola tem a lhe oferecer.

A tal era digital, a globalização e cia precisam andar de mãos dadas com o que se aprende na escola. Essa reformulação dará trabalho – e muito – mas terá que acontecer.

Nem vou comentar muito, mas vou citar para provocar a reflexão: também não acredito naquele esquema fantasioso das escolas onde o aluno escolhe o que quer estudar e o faz em grupos ou coisa parecida. Se isso funciona em alguns lugares, ótimo. O que temos que ter em mente é que algumas coisas funcionam em alguns lugares e em outros não. Não podemos ter a inocência de achar que com toda a diversidade que temos ao nosso redor todos vão aprender/funcionar/interessar-se da mesma maneira. Não é simplesmente fazer uma reforma, “modernizar” o jeito da escola e fazer uma mágica para todos terem o mesmo interesse. Tudo tem que ser adaptável.

Sim, a coisa é complicada, o assunto é longo, implica gastos, tempo para “engrenar” depois de definido - e eu sou radical e pessimista(?) – mas faz bem pensar sobre isso e ter esperança nas mudanças que terão de acontecer.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O que é arte?

"Esperam de mim que lhes diga: o que é arte? Se eu soubesse não diria a ninguém."
Pablo Picasso (eu conhecia como de Salvador Dalí...mas agora li como de Picasso,vai saber)

Pra começo de conversa

Há tempos q eu olho blogs internet a fora mas nunca pensei seriamente em ter o meu, só tinha curiosidade de saber como se faz.

Com a atividade da disciplina Seminário Integrador 1: Ser professor no contexto atual, fui 'obrigada' a matar a curiosidade e acabei descobrindo q não tem mistério nenhum.

Quem sabe até não é um jeito bom de discutir (nem q seja comigo mesma) os assuntos 'de aula', seja do curso da Regesd, seja de sala de aula? Afinal, somos alunas de um "curso virtual", fazemos a maior parte das atividades em frente a um computador, então, por que utilizar este meio para trocar idéias, indignações, dúvidas?

Claro q aqui aparece de o famoso impecilho da falta de tempo para sentar e escrever(lembrando q com bebê de 4 meses no colo fica difícil utilizar as 2 mãos pra digitar rsrsrs), mas pra tudo dá-se um jeito.

Bom, hoje passei a tarde em frente a esse monitor, minhas idéias já estão escassas. Espero q a 'inauguração' do blog esteja a contento. :)