terça-feira, 28 de julho de 2009

Considerações sobre o vídeo “Ser professor no contexto atual”

Dewey

O professor deve despertar o entusiasmo no aluno e valorizar a capacidade de pensar do mesmo.

Cabe a nós, professores, valorizar a bagagem que o aluno traz consigo a fim de facilitar sua aprendizagem e ao mesmo tempo faze-lo sentir-se parte importante do processo.

Piaget

O aprendizado é construído pelo aluno, o papel do professor é estimular a ação pela busca do conhecimento.

Cabe ao aluno construir seu conhecimento, mas é papel do professor lhe proporcionar as ferramentas necessárias para que essa construção se dê de forma significativa e consistente.

Vigotsky

Aspecto social da aprendizagem. O professor é o impulsionador do desenvolvimento mental do aluno. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa por outra pessoa.

A valorização do papel desempenhado pelo professor no processo de aprendizagem estimula-o a aprimorar cada vez mais sua prática, buscando novos métodos, práticas, exemplos e formas de ensinar.

Nóvoa

Professor reflexivo. Reflexão sobre a experiência docente seja feita no grupo de professores de uma escola, na escola.

É importante que o professor esteja sempre atualizado, buscando melhorar e aumentar seu conhecimento sobre sua área de atuação e sobre o processo de ensino-aprendizagem como um todo. Quando essa atualização acontece junto com o grupo com quem ele trabalha, esta torna-se mais significativa devido a troca de experiências entre aqueles que convivem com um mesmo grupo de aluno, por exemplo.

Shulman

Conhecimento pedagógico geral e do conteúdo, o que o professor deve saber para tornar a aprendizagem mais significativa.

No momento em que conheço bem aquilo que vou ensinar e sei como a criança aprende, tenho condições de preparar minha aula de um modo que facilite o entendimento e a assimilação daquilo que estou propondo. Desde modo, posso saber também as relações que o aluno pode fazer com outros conteúdos já aprendidos, inclusive em outras áreas do conhecimento.

Fazendo um paralelo das idéias escolhidas com a minha prática docente, concluo que quando conhecemos bem aquilo que estamos ensinando e demonstramos isso ao aluno, mostrando a ele nosso entusiasmo sobre o que dizemos, fica mais fácil trazê-lo para “dentro” do assunto e compartilhar de nosso entusiasmo. Se o professor está em constante atualização sobre o que ensina e sabe como o aluno aprende, ele tem condições de criar estratégias para proporcionar uma aprendizagem significativa, manter acesa a chama do entusiasmo durante suas aulas e, quem sabe, até despertar em alguns alunos um interesse maior e duradouro sobre determinados assuntos. Se nos interessarmos pelo que o aluno já sabe ao chegar na escola, pelo que ele tem interesse, e mostrarmos a ele que valorizamos o que ele pensa, torna-se mais fácil construir a aprendizagem. Quando o grupo de professores de uma escola se reúne periodicamente a fim de trocar experiências e aprender mais sobre qualquer assunto (seja sobre a comunidade onde está a escola, sobre o processo de aprendizagem, sobre o problema de determinado aluno), todo o grupo sai beneficiado, pois todos estarão falando a mesma língua e trabalhando em conjunto, mesmo que em áreas diferentes do saber.

Peço licença para dar um exemplo real do que digo: no Ensino Médio, eu dizia sempre que detestava Literatura, que era uma disciplina onde só se lia livros chatos e antigos. Tive uma professora que dava aula com tanto amor pela disciplina que acabou despertando o gosto pela leitura em muitos que não gostavam de ler. A turma ficava em silêncio total, todos “vidrados” ouvindo a professora ler poemas e trechos de livros. Mas isso por que ela o fazia com uma emoção, uma intensidade tão grande que contagiava a turma toda, até os mais desinteressados.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Portfólios

Há um bom tempo havia lido sobre portfólios na escola, mas, até então, não tinha refletido sobre seu real valor no processo de aprendizagem.

Realmente, é uma forma bem mais ‘eficiente’ para fazer com que o aluno se sinta dentro do processo de avaliação. O simples fato de acumular trabalhos dentro de uma pasta não acrescenta nada no final do ano. Mas pensar numa maneira para acomodá-los e apresentá-los, selecionar quais (e por que) serão incluídos e descartados do portfólio já exigem um envolvimento muito maior por parte do aluno. Não é só “o que vai dentro” que é importante, mas a forma de apresentação também vai mostrar um pouco de quem está apresentando.

Trabalhei em uma escola onde os alunos “enchiam a boca” para dizer que “deram fogo” nos trabalhos do ano passado - ou do mesmo ano algumas vezes.

O uso do portfólio faz com que o aluno veja sua produção com outros olhos, que comece a pensar sobre o processo desenvolvido ao longo do ano buscando uma reflexão final, desvinculando o valor daquele trabalho apenas ao momento da entrega/nota.

Mas para que isso dê certo o aluno deve estar convencido da importância de participar desse processo de avaliação, não apenas pensar na sua nota no momento da execução do trabalho e depois esquecer-se de como e por que foi feito daquela forma.

Talvez se fossem utilizados desde as séries iniciais, os portfólios se tornassem, também aos olhos dos alunos, uma coisa natural, uma parte do processo de aprendizagem (como são os temidos ou esperados boletins ao fim de cada trimestre) e ajudassem a criar um processo de avaliação mais significativo para todos, não apenas vinculados às notas.

"Você sabia?" e "Educação não é a solução"

Aqui estão os links do texto e do vídeo q deu origem à discussão do outro texto...
http://www.youtube.com/watch?v=EIg2pZspFoE

http://www.educartis.com.br/ceo/2007/12/11/educaco-no-e-a-soluco.html

"Educação não é a solução"

Após ver o vídeo e ler o artigo “Educação não é a solução”, mais uma vez comecei a me questionar sobre diversas coisas referentes a nossa prática na escola.

Sabemos, sim, que nosso modelo educacional está ultrapassado, que os conteúdos ensinados na escola deixam muito a desejar e não têm - eu amo os acentos e ainda não aderi à novíssima e revolucionária Reforma Ortográfica- a famosa “utilidade prática” (quem nunca se perguntou “mas pra que eu tenho que saber ligações covalentes se eu não vou trabalhar com química?!”).

Bom, acontece que estamos (vou usar a 3ª pessoa para caracterizar nosso sistema de ensino, não se ofendam) pregando uma coisa e fazendo outra.

Discutimos e concordamos que devemos preparar o aluno para o mundo globalizado, para as faculdades e para o mercado de trabalho mas ainda estamos ensinando (quase) os mesmos conteúdos e da mesma forma que aprendemos 10, 15, 20 anos atrás. Falamos em inclusão digital, e usamos os Laboratórios de Informática Educativa para fazer os mesmos trabalhos sobre a Revolução Francesa, a formação do solo, etc e tal.

Quanto à Língua Portuguesa, NÓS, professoras, algumas vezes, escrevemos com erros semelhantes aos nossos alunos! De que forma vamos cobrar uma coisa que não sabemos fazer? E não me serve aquela história de que não precisa cobrar muito a ortografia e pontuação, que compreendendo a idéia expressada, mesmo com erros, é suficiente. O mesmo serve para a caligrafia. Não é por que quase tudo é feito no computador que a criatura vai psicografar seus cadernos e provas e assim está bom por que entende o que escreveu! Lembremos que nas empresas o bom Português se faz necessário para preencher relatórios, currículos e toda a sorte de papeladas.

Às vezes vejo um certo nivelamento por baixo. Já ouvi “mas pensa bem, qual daqueles alunos vai fazer uma faculdade? Eles saindo daqui lendo e escrevendo para se virar no mercado de trabalho, está mais que bom!” Sim, eu ouvi. Mas graças aos céus, isso não é padrão, mas acontece em muitos lugares.

Eu defendo a idéia que precisa haver uma revolução geral na educação, desde a qualificação dos professores, passando pela estrutura da escola, material didático, planos políticos-pedagógicos e assim por diante. E precisamos de novo exercer a autoridade, receber o merecido respeito e valorização perdidos, ter apoio da família e do governo para incentivar o aluno a absorver – por vontade própria – o melhor que a escola tem a lhe oferecer.

A tal era digital, a globalização e cia precisam andar de mãos dadas com o que se aprende na escola. Essa reformulação dará trabalho – e muito – mas terá que acontecer.

Nem vou comentar muito, mas vou citar para provocar a reflexão: também não acredito naquele esquema fantasioso das escolas onde o aluno escolhe o que quer estudar e o faz em grupos ou coisa parecida. Se isso funciona em alguns lugares, ótimo. O que temos que ter em mente é que algumas coisas funcionam em alguns lugares e em outros não. Não podemos ter a inocência de achar que com toda a diversidade que temos ao nosso redor todos vão aprender/funcionar/interessar-se da mesma maneira. Não é simplesmente fazer uma reforma, “modernizar” o jeito da escola e fazer uma mágica para todos terem o mesmo interesse. Tudo tem que ser adaptável.

Sim, a coisa é complicada, o assunto é longo, implica gastos, tempo para “engrenar” depois de definido - e eu sou radical e pessimista(?) – mas faz bem pensar sobre isso e ter esperança nas mudanças que terão de acontecer.