Após ver o vídeo e ler o artigo “Educação não é a solução”, mais uma vez comecei a me questionar sobre diversas coisas referentes a nossa prática na escola.
Sabemos, sim, que nosso modelo educacional está ultrapassado, que os conteúdos ensinados na escola deixam muito a desejar e não têm - eu amo os acentos e ainda não aderi à novíssima e revolucionária Reforma Ortográfica- a famosa “utilidade prática” (quem nunca se perguntou “mas pra que eu tenho que saber ligações covalentes se eu não vou trabalhar com química?!”).
Bom, acontece que estamos (vou usar a 3ª pessoa para caracterizar nosso sistema de ensino, não se ofendam) pregando uma coisa e fazendo outra.
Discutimos e concordamos que devemos preparar o aluno para o mundo globalizado, para as faculdades e para o mercado de trabalho mas ainda estamos ensinando (quase) os mesmos conteúdos e da mesma forma que aprendemos 10, 15, 20 anos atrás. Falamos em inclusão digital, e usamos os Laboratórios de Informática Educativa para fazer os mesmos trabalhos sobre a Revolução Francesa, a formação do solo, etc e tal.
Quanto à Língua Portuguesa, NÓS, professoras, algumas vezes, escrevemos com erros semelhantes aos nossos alunos! De que forma vamos cobrar uma coisa que não sabemos fazer? E não me serve aquela história de que não precisa cobrar muito a ortografia e pontuação, que compreendendo a idéia expressada, mesmo com erros, é suficiente. O mesmo serve para a caligrafia. Não é por que quase tudo é feito no computador que a criatura vai psicografar seus cadernos e provas e assim está bom por que entende o que escreveu! Lembremos que nas empresas o bom Português se faz necessário para preencher relatórios, currículos e toda a sorte de papeladas.
Às vezes vejo um certo nivelamento por baixo. Já ouvi “mas pensa bem, qual daqueles alunos vai fazer uma faculdade? Eles saindo daqui lendo e escrevendo para se virar no mercado de trabalho, está mais que bom!” Sim, eu ouvi. Mas graças aos céus, isso não é padrão, mas acontece em muitos lugares.
Eu defendo a idéia que precisa haver uma revolução geral na educação, desde a qualificação dos professores, passando pela estrutura da escola, material didático, planos políticos-pedagógicos e assim por diante. E precisamos de novo exercer a autoridade, receber o merecido respeito e valorização perdidos, ter apoio da família e do governo para incentivar o aluno a absorver – por vontade própria – o melhor que a escola tem a lhe oferecer.
A tal era digital, a globalização e cia precisam andar de mãos dadas com o que se aprende na escola. Essa reformulação dará trabalho – e muito – mas terá que acontecer.
Nem vou comentar muito, mas vou citar para provocar a reflexão: também não acredito naquele esquema fantasioso das escolas onde o aluno escolhe o que quer estudar e o faz em grupos ou coisa parecida. Se isso funciona em alguns lugares, ótimo. O que temos que ter em mente é que algumas coisas funcionam em alguns lugares e em outros não. Não podemos ter a inocência de achar que com toda a diversidade que temos ao nosso redor todos vão aprender/funcionar/interessar-se da mesma maneira. Não é simplesmente fazer uma reforma, “modernizar” o jeito da escola e fazer uma mágica para todos terem o mesmo interesse. Tudo tem que ser adaptável.
Sim, a coisa é complicada, o assunto é longo, implica gastos, tempo para “engrenar” depois de definido - e eu sou radical e pessimista(?) – mas faz bem pensar sobre isso e ter esperança nas mudanças que terão de acontecer.
Rosane realmente já sou sua fã.
ResponderExcluirQue bom que você é tão crítica e tem essa visão, pena que nem todos os profissionais de educação tem esse envolvimento que você tem.
E muito bom conhecer e aprender com pessoas como você.
Ahhh...parabéns pelo blog, ficou fantástico.
bj