Assistindo mais uma vez o filme “O sorriso de Monalisa”, fiz uma série de reflexões tentando seguir o roteiro para discussão disponibilizado na tarefa 9 do Seminário Integrador I. Primeiramente vamos nos localizar. Este filme trata de uma professora de Arte que chega cheia de novas idéias e concepções sobre o modo de ver a vida e a arte numa escola americana extremamente tradicional. No filme as alunas da escola eram criadas para seguir padrões pré determinados para tudo em suas vidas (comportamento, idéias de vida, modo de ver a arte). Tanto que achavam que para conhecer a arte, bastava decorar o que a apostila da escola dizia e saberiam tudo sobre as obras, não se preocupavam em ir além do que o texto dizia, apreciar e refletir sobre as imagens lá contidas.
Quando a professora apresenta uma obra que não está no livro e que não pertence ao conjunto do que elas aprenderam a ver como arte, elas ficam perdidas, e a primeira atitude é a crítica e a negação de que aquilo fosse arte. Elas não conseguem dar-se conta que para apreciar e reconhecer o valor de uma obra (um filme, uma música) não é necessário gostar, mas deve-se tentar entender e reconhecer seu valor.
Acostumadas a apreciar obras de Da Vinci utilizando padrões como cor, luz, profundidade, temática, como apreciar um Pollock, que utiliza somente camadas e mais camadas de tinta salpicada sobre a tela?
Maior ainda foi a surpresa da turma quando a professora apresentou imagens da mídia da época durante uma aula. Nunca elas haviam pensado que imagens da propaganda poderiam ser utilizadas como elemento para apreciação e reflexão dentro de uma sala de aula.
Atualmente a propaganda (mídia) pode ser um recurso muito atrativo para a leitura de imagens na escola. Existem muitas que fazem referência ou utilizam imagens conhecidas da história da Arte para anunciar seus produtos. Outras ainda podem servir de base para muitas reflexões, afinal, Paulo Freire já dizia “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”.
Outra cena interessante é a que a professora apresenta a obra de Pollock às alunas e lhes diz que façam um favor a si próprias, ficando caladas e apreciando, que não precisam nem gostar, só apreciar.
Comparo essa parte do filme com a minha prática em sala de aula. Muitas vezes não adianta ficar tentando convencer o aluno sobre uma obra, existem momentos em que é necessário apenas deixá-lo apreciar a obra, (inclusive para alguns quanto mais tentamos falar sobre a obra mais eles vão contra ao que dizemos...).
Uma questão muito forte para debate, seja com os alunos ou entre professores (ou quem quiser pensar sobre o assunto), é a parte onde elas discutem sobre o que é ou não arte. Reproduzo algumas frases do filme: “o que é arte? O que faz dela boa ou ruim e quem decide?”, “a arte não é arte até alguém dizer que é”. Em qualquer roda de discussão essa questão gera polêmica. Existe um chamado “mundo da arte” com críticos, especialistas, estudiosos, curadores. Um exercício meu de aula ou um trabalho de um aluno não é arte, é um trabalho de aula, um exercício. Alguém que faz um curso rápido, aprende a pintar flores e lindas paisagens é automaticamente um artista? Ou está apenas reproduzindo a técnica que aprendeu na aula? O curador do museu ou o crítico chamariam algum dos trabalhos citados de arte? Os colocaria em uma galeria?
Os alunos adoram “provocar-nos” dizendo “isso até eu faço”, “mas esse monte de rabiscos é arte?”. O que responder a eles?
No momento em que foram feitos os “rabiscos”, eles foram importantes naquele determinado momento histórico, o mundo da arte os considerou como tal por alguma razão.
A partir do filme comecei a refletir sobre como responder quando me fazem tais perguntas e comentários. Cabe ao professor ter a mente aberta e tentar ajudar seus alunos a abrirem as suas também e ampliar suas concepções sobre a arte e a leitura do mundo ao nosso redor.
Precisamos aprender (e ensinar) a olhar um Pollock ou um Da Vinci com os olhos de quem observa não apenas as cores, o movimento, a profundidade ou querer entender “o que o artista quis dizer com isso”. Precisamos apreciar, deixar-nos envolver pelo que estamos vendo e deixar que ele trave um diálogo conosco, a partir do que trazemos em bagagem de conhecimento, seja de imagens, de poesia,enfim, da nossa leitura do mundo.
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